sábado, 18 de maio de 2013

Bolama: O episódio da vidente russa

13 de Dezembro de 1991. O navio Bolama está desaparecido há nove dias. Os familiares desesperam e a tensão cresce nos gabinetes do Estado Maior da Armada. Finalmente uma boa notícia... A fragata Álvares Cabral, a corveta Jacinto Cândido e a Rádio Naval de Sagres interceptam comunicações que indicam que o navio pode estar a navegar em direção a Cabo Verde.
Entretanto, Ana Caetano, filha do empresário Salvador Caetano e mulher de José Manuel Esteves que seguia a bordo do navio, recorre aos serviços de uma vidente russa. Não é pura invenção. As suas declarações constam da acusação do Ministério Público:


“Esclareceu ainda (Ana Caetano) ter estado em contacto com uma “vidente russa”, que lhe forneceu “as coordenadas” de localização do navio, que depois transmitiu, (com explicação desconhecida) ao Director-Geral da Crustacil, Pedro Paulino de Noronha, que as fez chegar ao comando encarregado das buscas, à Força Aérea e à Embaixada de Cabo Verde, daí resultando a realização de buscas neste local”.


O empresário Salvador Caetano, um dos proprietários do navio Bolama
que faleceu em 2011.


Foi com base nestas informações que o então Chefe de Estado Maior da Armada, o Almirante Fuzeta da Ponte decidiu enviar a Fragata Roberto Ivens para Cabo Verde com o DAE a bordo (vide publicação anterior: Forças Especiais foram à procura do Bolama).




Fragata Roberto Ivens

A Força Aérea Portuguesa também decide enviar uma aeronave P3 Orion para o arquipélago de Cabo Verde ao início da tarde do dia 13 de Dezembro de 1991.