quarta-feira, 19 de junho de 2013

Bolama afundou-se em escassos minutos

Depois do naufrágio do navio Bolama, a 4 de Dezembro de 1991, foram efectuados vários relatórios de peritos para se apurar as causas do afundamento. Num relatório elaborado a pedido dos arguidos e conduzido pelo Contra-Almirante Engenheiro construtor naval Carlos Ribeiro Caldeira Saraiva, pelo Contra-Almirante Engenheiro construtor naval António Balcão Fernandes e pelo professor engenheiro Manuel das Dores Pinto, concluiu-se:

"O navio cumpria todos os requisitos do Critério de Estabilidade Intacta estabelecidos (...) incluíndo os relativos a ondulação e ventos fortes (...) o afundamento do Bolama ocorreu num curto espaço de tempo, pois: não deu tempo para se lançar um SOS ou qualquer comunicação; não permitiu a utilização dos meios de salvação a bordo; dos oito corpos de passageiros e tripulantes recolhidos, nenhum tinha colete de salvação, o que indica uma fuga num desastre quase instântaneo (...)"

Os peritos escrevem no relatório como causas prováveis do acidente: "a prisão do aparelho de pesca em cabo submarino ou peguilho, errada manobra durante o arrasto, enchimento súbito das redes por apára-lápis, lodo, ou golpe de mar".



O navio Bolama está afundado a 130 metros de profundidade.


O pesqueiro Bolama tinha 38 metros de comprimento e a ter-se afundado num curto espaço de tempo, pode-se estar a falar entre os dois e os quatro minutos. Mesmo nesta margem de tempo continuam muitas questões por esclarecer:

- Porque razão não foi lançado qualquer sinal SOS pelos vários rádios existentes na ponte?

- Porque motivo não foi lançado qualquer sinal luminoso (very lights)?

- O local do naufrágio fica no enfiamento da barra sul do Tejo, rota permanente de passagem de navios e visível da zona de Cascais. Como ninguém poderá ter visto nada?

- Os oito corpos encontrados não tinham coletes de salvação. O tempo em que ocorreu a tragédia foi insuficiente para a utilização dos meios de salvação, incluíndo o lançamento ao mar das balsas salva-vidas?

Nos dias seguintes ao desaparecimento do navio não foram encontrados quaisquer meios de salvação, destroços do navio ou manchas de gasóleo.  O navio só foi localizado a 5 de Fevereiro de 1992 através da utilização de um sonar lateral da lancha hidrográfica Auriga.


NRP Auriga

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Nolama, envie-nos um email para: investigacaobolama@gmail.pt