quinta-feira, 27 de junho de 2013

Depoimento do jornalista dinamarquês Morten Gliemann

Depoimento do jornalista Morten Gliemann

O jornalista dinamarquês Morten Gliemann sempre acompanhou de perto a realidade portuguesa e em especial o naufrágio do Bolama. Foram da sua autoria os primeiros artigos publicados nos jornais dinamarqueses sobre o desaparecimento do navio e até hoje tem investigado o caso para a descoberta da verdade. Fez a gentileza de escrever um texto para este Blog de investigação:


Vista para o mar

Jornalista Morten Gliemann.



Morava no Monte Estoril, na altura. Era estudante de português na universidade e ao mesmo tempo estudante de jornalismo na Dinamarca. Mas vivia em Portugal. Pensava mais em praia do que em navios, mas via, de longe, parte da navegação diária. Num edifício alto no Monte Estoril tem-se uma bela vista. Mas havia dias de nevoeiro que me fazia lembrar a Dinamarca. Temos muitas ilhas e muito nevoeiro – e uma grande tradição de navegação. Também. Eu escrevia um pouco todos os dias, num computador portátil. Era o único dono / usuário desse tipo de ferramenta na faculdade (de letras). Acho. Ninguém tinha internet. Eu tinha uma impressora, imprimia textos que enviava por fax do posto de gasolina mais próximo. E preparava um trabalho mais “pesado” sobre a primeira presidência portuguesa da União Europeia. Quais perspectivas? Esperanças? Receios? Bem longe das minhas pesquisas e pesamentos aconteceu um breaking news quase fora das minhas janelas. Um navio parcialmente dinamarquês, mas de nome tropical - “Bolama” – desapareceu. Desvaneceu. Sumiu. Simplesmente. Era demais para uma cabeça nórdica. As coisas não somem, e há explicações para tudo. Tudo! Tal aconteceu num dia de nevoeiro denso e imenso. Os dias seguintes seriam de “grande aula” de português - e jornalismo – para mim. Comprava e lia os jornais de referência, ligava o rádio, a televisão. Aos poucos fiquei com uma certa vontade de ir ter com as fontes. Mas quais?
Pretende-se escrever e editar vários “posts” sobre este verdadeiro porém moderno mistério. Sugestões serão bem-vindas.

Com os melhores cumprimentos de Morten “Martinho” Gliemann.