domingo, 9 de junho de 2013

Governo português recusou reflutuação do Bolama

Em 1995, o empresário dinamarquês Jorgen Mortensen que mediou a venda do navio Bolama para Portugal e que perdeu o filho no naufrágio (Niels Johnstad Moller) pediu ao Ministro da Defesa português, António Vitorino, que o navio fosse removido para a superfície. Para o efeito, Jorgen Mortensen estava disposto a colaborar financeiramente na operação.




Jorgen Mortensen, entretanto já falecido, foi um dos familiares
das vítimas que mais lutou pela descoberta da verdade sobre
o naufrágio do navio Bolama.

A recusa do Estado português foi dada em Agosto de 1996 numa carta assinada por Arnaldo Cruz, o Chefe de Gabinete do Ministro António Vitorino:

"(...) A autoridade marítima, Capitania do Porto, não vê necessidade de, no âmbito das suas competências, exigir a remoção do navio, uma vez que não se verificam os pressupostos da lei, isto é, prejuízo para a navegação, o regime de portos, a pesca ou a saúde pública. Está, pois, afastada a hipótese de a reflutuação ser ordenada por iniciativa da Administração, com base em razões de ordem pública (...)"

Alguns parágrafos mais à frente pode-se ler:

"(...) A autoridades judiciárias, que se tenha conhecimento, não decretaram quaisquer diligências que pudessem conduzir directa ou indirectamente à necessidade de remover ou fazer reflutuar o navio. E certo é que nenhum contacto foi efectuado pelos Tribunais ou pelo Ministério Público, ao Ministério da Defesa, no sentido de apurar da exequibilidade de semelhante operação (...)"



António Vitorino foi Ministro da Defesa de Portugal entre 1995 e 1997.

Em declarações à RTP em 1997, Jorgen Mortensen referiu que "existiu alguma coisa no interior do navio que as autoridades portuguesas não querem que venha à luz do dia. Estou convencido que a carga do Bolama tem algo a ver com material militar".



Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com