quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ex-dono do Bolama indiciado por vários crimes

Numa entrevista publicada hoje no Diário de Noticias, o responsável político da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, afirma que Carlos Gomes Júnior está indiciado por vários crimes. Em resposta a uma pergunta sobre o anúncio da candidatura de Gomes Júnior às eleições presidenciais de 24 de Novembro, Fernando Vaz responde, "Ele pode anunciar a candidatura, mas se insistir em voltar à Guiné-Bissau será detido, porque está indiciado por uma série de crimes. Os tribunais saberão o que fazer."
 


Carlos Gomes Júnior foi Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau entre Maio de 2004
a Novembro de 2005 e de Janeiro de 2009 a Fevereiro 2012 (Foto de Rui Gaudêncio).
 




Carlos Gomes Júnior é presidente do partido PAIGC desde 2002. Conhecido por Cadogo é um dos homens mais ricos da Guiné-Bissau com negócios na área da farmacêutica, turismo e pescas.
O empresário de 64 anos de idade pertencia à data do naufrágio do navio Bolama ao conselho de administração das empresas Crustacil, Atlântica e Guipal, juntamente com os portugueses Salvador Caetano, Armindo Rodrigo Leite e Laurindo Correia da Costa.
 
 
Fernando Vaz é o actual responsável político da Guiné-Bissau
(Foto de Orlando Almeida- Global Imagens)
 
Segundo declarações de Augusto Mansoa, um médico guineense radicado em Portugal, à rádio francesa RFI, o ex-primeiro ministro guineense "está acusado de crime de sangue numa série de assassinatos antes de ele ter sido destítuido."
Em 2011, os familiares das vítimas dos assassinatos políticos de 2009, apresentaram em Bissau uma queixa-crime contra os membros do governo encabeçado por Carlos Gomes Júnior. Na sequência de conflitos internos foram mortas várias pessoas em 2009, entre elas o presidente Nino Vieira, o candidato presidencial Baciro Dabo, o ex-CEMGFA Tagmé Na Waye, o deputado Hélder Proença, Tito Abna N´Tchala e Natele Cadujcan Nhaga.
Na edição de 9 de Maio de 2013 da revista Sábado é revelado que Carlos Gomes Júnior está a ser investigado pela Polícia Judiciária portuguesa por ter recebido uma transferência de 1,5 milhões de euros feita pelo empresário angolano Domingos Manel Inglês. A operação foi comunicada pelo banco à PJ e ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que investiga as movimentações financeiras do cidadão angolano, no âmbito do processo de denúncia deste empresário. Segundo a mesma revista, a transferência em causa foi efectuada em Julho de 2012.
O político guineense esteve em Lisboa no passado dia 16 de Maio proveniente de Abidjan, Costa do Marfim, e esteve reunido com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva e com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Mais tarde à entrada da sede da CPLP, Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Carlos Gomes Júnior referiu que "está pronto para regressar à Guiné".

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama, envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com